Brasil avança sobre mercado imobiliário dos EUA

Atraídos pelos preços em baixa, brasileiros compram cada vez mais imóveis em Nova York. Na Flórida, já estão entre os maiores compradores estrangeiros

Imóveis luxuosos são oferecidos a preços baixos em Miami, Orlando e Nova York

O mercado imobiliário norte-americano vive um novo quadro desde que explodiu a crise econômica em 2008. O setor, um dos mais afetados pela quebradeira dos bancos nos EUA e Europa, vem se mantendo aquecido graças à procura cada vez maior de estrangeiros por imóveis nas grandes cidades do país. Os brasileiros estão entre os mais ávidos consumidores.

Uma pesquisa divulgada em junho deste ano, pela Associação Nacional dos Corretores de Imóveis dos Estados Unidos (NAR, na sigla em inglês), apontou que os compradores estrangeiros gastaram US$ 82,5 bilhões entre março de 2011 e março deste ano. O valor representa ou 8,9% do total (US$ 928 bilhões). No período anterior, as vendas internacionais atingiram US$ 66,4 bilhões.

Com 3% das vendas internacionais, os brasileiros já estão na sexta colocação deste ranking, atrás somente dos compradores do Canadá, China, México, Índia e Reino Unido.

O estado da Flórida concentra a atenção dos brasileiros que se aventuram no mercado imobiliário norte-americano. Eles foram responsáveis por 12% de todos os imóveis vendidos a estrangeiros em Miami, no ano passado, sendo suplantado apenas pelos venezuelanos (17%). No entanto, os especialistas já apontam que o consumidor brasileiro ocupará a ponta do ranking no final deste ano.

Nova York aparece em segundo lugar quando o assunto é comprar imóveis. A cidade vem recebendo uma procura incessante e luxuosos apartamentos em bairros elegantes de Manhattan já começam a ser arrematados por brasileiros.

PREÇOS EM CONTA

A crise econômica de 2008 nos Estados Unidos culminou em uma onda de desemprego e de despejo em massa de trabalhadores sem condições de quitar suas caríssimas hipotecas. Pouco tempo foi necessário, a partir de então, para que milhares de imóveis em todo o país ficassem abandonados. A solução foi a queda contínua dos preços, que atraiu os compradores estrangeiros.

Mesmo com a ligeira melhora da situação econômica, os preços continuam baixos, inclusive em comparação com os imóveis no Brasil. O metro quadrado de um imóvel em uma área nobre de Miami custa em média US$ 5 mil. No Brasil, não é possível encontrar um equivalente a menos de US$ 10 mil o m2, enquanto no Rio de Janeiro chega a US$ 15 mil.

Os altíssimos juros brasileiros também são um ponto negativo da comparação. Enquanto nos EUA ele está em torno de 5,5% ao ano, por aqui o índice chega a 7%.

O corretor Frederico Ziotto, carioca que mora em Nova York há mais de 25 anos, aponta a redução da taxa de câmbio como um importante fator a impulsionar os brasileiros. “A compra de um apartamento tornou-se possível hoje graças ao fortalecimento do Real”.

Ele diz que a procura de imóveis na Grande Maçã é motivada sobretudo pela promessa de vida em uma cidade cosmopolita e bem estruturada. “Apesar de ser um investimento seguro, a procura é pela qualidade de vida que a cidade oferece – seguranca, cultura, infra-estrutura e acesso ao que existe de melhor em quase todos os setores”, afirma. “No Brasil, em muitos casos o dinheiro não proporciona todos esses benefícios”, completa.

NEGÓCIOS NO BRASIL

Corretoras criam sites em português para atrair o comprador brasileiro

A procura de brasileiros por casas, apartamentos e mansões é tão grande que várias companhias norte-americanas vieram ao Brasil em busca de clientes. Em agosto, a consultoria imobiliária Elite International Realty realizou um encontro de negócios em São Paulo e no Rio de Janeiro e obteve US$ 15 milhões em vendas. Animados com o resultado, anunciaram eventos trimestrais.

“Com os preços dos imóveis em alta no Brasil, o mercado imobiliário americano acaba se tornando uma boa oportunidade de negócio”, comenta o diretor presidente da Elite, o brasileiro Leo Ickowicz.

Ele diz que a demanda é tão grande que o mercado imobiliário norte-americano vem alterando sua forma de trabalho para se adaptar ao gosto do brasileiro. “As incorporadoras estão adotando o modelo “um apartamento por andar”, incomum nos Estados Unidos”.

Uma rápida pesquisa na internet possibilita encontrar todo tipo de oferta. Empresas norte-americanas sediadas no Brasil oferecem serviços especiais de atendimento ao cliente. Outras, ainda sem colocar os pés em território tupiniquim, colocam no ar detalhados sites em português. E, claro, brasileiros que trabalham nos Estados Unidos servem como trunfo para várias corretoras e incorporadoras.

COMO COMPRAR

Além do fortalecimento do real e a queda no preços dos imóveis, outro fator que anima os brasileiros a sair à caça de casas e apartamentos é a liberal legislação norte-americana, que facilita o fechamento de negócios. “Não há limites para alguém de outro país comprar casas nos Estados Unidos”, explica Leo Ickowicz.

É possível para um estrangeiro financiar imóveis nos EUA. Os empréstimos usualmente chegam a 70% do valor do imóvel, com prazos de até 30 anos e taxas fixas ou variáveis.

Os trâmites burocráticos são parecidos com os enfrentados no Brasil. É necessário pagar pela escritura e pela transferência do documento do imóvel. As despesas também são bem parecidas: condomínio, taxa de manutenção, seguro e um tributo equivalente ao IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).

A maior parte dos imóveis são de alto padrão e o valor máximo pode chegar a US$ 10 milhões. No entanto, há alguns com preço extremamente tentador. Um exemplo é uma casa, em um luxuoso condomínio, localizado a apenas alguns quarteirões da Disney, em Orlando. Com três quartos e toda mobiliada, ela esta à venda por módicos US$ 140 mil. Em São Paulo, por exemplo, é quase impossível encontrar um imóvel bem localizado a este preço, mesmo que esteja vazio e tenha apenas dois dormitórios.

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2 Comentários

  1. kikafranca

     /  novembro 6, 2012

    Só sei que quero um apartamento em NY.

    Responder
  2. Reblogged this on Corretor Teche comentado:
    O mercado brasileiro de imóveis está em alta e o americano em queda.

    Imóveis luxuosos são oferecidos a preços baixos em Miami, Orlando e Nova York.
    E aí, você fala inglês? Caso a resposta seja positiva, saiba que pode fazer boas parcerias no exterior. Abraços e até logo 😉

    Responder

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