Mídia amplia faturamento e demissões

Mesmo com o aumento do volume publicitário, empresas do setor seguem realizando cortes de gastos. Profissionais de jornalismo são maiores vítimas

Empresas de jornalismo lucram cada vez mais, mas ampliasm demissão de jornalistas

Empresas de jornalismo lucram cada vez mais, mas ampliasm demissão de jornalistas

As empresas de comunicação do Brasil seguem uma curiosa tendência: quanto maior o faturamento, maior o número de demissões. É que se conclui ao analisar os números referentes ao setor em 2012.

Uma pesquisa realizada pelo Monitor Evolution, do Ibope Media, aponta que os investimentos publicitários cresceram 7% em 2012, na comparação com o ano anterior, atingindo R$ 94,9 bilhões.

De acordo com Dora Câmara, diretora regional Brasil do Ibope Media, o setor vive um momento de crescimento e consolidação. “O aumento registrado em 2012 ficou de acordo com a economia do país”.

Ainda de acordo com o levantamento, a TV aberta é a mídia que recebe o maior volume de publicidade. Apesar do crescimento de 11% nos investimentos, que passam de R$ 46,3 bilhões em 2011 para R$ 51,2 bilhões, a participação do meio é praticamente a mesma, passou de 53% para 54%. O meio internet, que também aumentou sua participação chegando a 7%, teve um crescimento de 21%, passando de R$ 5,3 bilhões para R$ 6,5 bilhões.

Passaralhos

Enquanto isso, o que se vê nas redações é um clima de terror. Tudo graças a um mítico animal, o passaralho.

Passaralho é uma palavra do jargão jornalístico que designa demissões em massa nas redações. A origem da expressão é imprecisa e uma série de versões têm sido publicadas, algumas com teor burlesco e com um humor ácido.

Infelizmente, não há espaço para o humor nas redações. Um levantamento do site Comunique-se aponta que mais de 1.200 jornalistas foram demitidos em 2012. O número foi engordado pelas 450 demissões da Rede TV e as 70 da Record, além do fechamento do Jornal da Tarde, pertencente ao Grupo Estado.

No entanto, todos os grandes veículos de comunicação realizaram demissões no ano passado. A maior parte dos veículos afirma que os passaralhos fazem parte de “reestruturações”, que incluem o surgimento de veículos online, como portais de notícias e sites de serviços. O problema é que esses novos veículos são criados com equipes extremamente enxutas. A tese da “reestruturação” é derrubada ao se constatar que não há uma migração para os meios online, apenas um número de contratações muito inferior às demissões.

Outro fator que mostra a crise vivida pelo profissional de comunicação é a precariedade dos empregos. Em São Paulo, os profissionais com registro na Carteira de Trabalho, pelo regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), são raros. A maioria absoluta das empresas de comunicação monta suas equipes com profissionais assalariados travestidos de “prestadores de serviços”. Estes atuam como pessoas jurídicas e emitem notas fiscais para receber pelo trabalho. A manobra representa, na prática, a sonegação de milhões de reais em encargos trabalhistas. Os jornalistas, por sua vez, perdem direito a benefícios como o 13º salário.

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